terça-feira, 30 de junho de 2026

Verdes são os campos



Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração
Quando se deitam em voo planado
Como num sonho ou num fado
Na toalha estendida
Que a brisa ondeia
Remanso num sopro de vida
No intervalo de um pranto
E um banco de areia

Porque há um barco esquecido na praia
Amarrado ao lodo do tempo
Que já não leva ninguém a pescar
À espera da maré
Ou do vento
Que o faça outra vez navegar

É uma dor sem lamento
Um amor ou sentimento
Tormento degredo paixão
A verdura desses campos
Nos olhos do meu coração

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Escuta

O verde quebrado do lago 
Manso e prateado 
Onde mergulho os meus olhos 
Quais asas na brisa pousadas 
Solta silêncios alados 
Ecos perdidos soprados no sol 
Que flores de muitas cores 
Provocam insectos a mirar 
E perfumam de olor e vida e calor 

A voz cala-se às reentrâncias 
Da luz ao bordejar das margens 
Os sons repousam 
E é o silêncio que se faz verbo 
Escuta...

Sssschhiiiiu...! 

 (Poema publicado originalmente a 18/01/2011 no meu blogue Nuvens de Orvalho (apagado), e agora aqui readaptado)

domingo, 28 de junho de 2026

Musicando o horizonte

tocando o horizonte

O horizonte precisa da música das ondas
em preguiçoso espraiar
para ser tocado em escala de sol e vagar

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Entre Gaivotas



Tenho uma alma-gaivota que não se confina ao chão
Um coração sempre com sede de ar
Um mar nos olhos que escorre do peito
Em leito de asas feito

É entre gaivotas que a minha alma voa

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Mares e sol



Mares…


 ... entram-nos assim pelos poemas dentro 
para rasgar silêncios, 
para acorçoar...


... para desemaranhar 
e evidenciar as telas dos dias.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Onde moram cagarros e ganhoas



Um breve olhar...
para lá do mar... perto da lua. 
Onde moram cagarros e ganhoas... 
sonhos e poemas 
esculpidos em lava 
escorridos no vento 
embrulhados em bruma 
retidos no sentimento.

sábado, 22 de abril de 2023

Quase Oração

Desfilo quase oração

como esteiro enigmático,

claro e escuro,

de ruídos silenciosos,

em que desaguo, tantas vezes,

os rios tempestuosos que me percorrem.

Fragilidade feita força

para que não naufrague o barco

em mares de vagas bravas.


terça-feira, 30 de agosto de 2022

Petrificação


Rosto toldado 
Olhar branco 
Praia selvagem 
Beleza ferida 
De céu nublado 

Gritos mudos 
Sombra agreste 
Muro que barra passagem 
Horizonte magoado 
Breve aragem levadiça 
Porta ao fundo quebradiça 
Interior incerteza 
Chuva sedenta de pão 
Vento espelhado na alma 
Pardacenta noite de verão 
Embaciados sentidos 
Passos colados ao chão 
...

Revoltem-se as águas 
Reme-se contra a maré 
E novos horizontes nasçam

(Poema publicado originalmente a 17/04/2012 no meu blogue Nuvens de Orvalho (apagado), e aqui agora readaptado)

sábado, 1 de janeiro de 2022

Navegar é necessário

      in: Horta, Faial
Navegar é necessário

Viver não é perfeito
Nem claro
É tantas vezes com defeito
E bem turvo e escuro

Há que saber levar o barco direito
Aprendendo bem a remar a porto seguro
Para que não oscile demasiado e nos afunde

Pois é frágil a embarcação
Em mares de altas e bravas vagas
Que a podem fazer soçobrar

E caudalosos são os rios que nos percorrem
Desaguando em maré escura
Que pinta de noite a praia
Dor a acordar da inocência dos barcos de papel

Mas que não se esquivem os sonhos
Alavancas que nos desencravam as engrenagens maltratadas pela vida

Navegar é necessário

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