Há uma Primavera (in)discreta que me espreita à janela Um cálido perfume a nascer dos raios de sol Uma luz serena de realidade donzela Uma sinfonia de cores breves no ar Um convite à utopia no jardim Um reflexo de vida nova a levitar E um sopro de brisa mansa nascente em mim
Debaixo da ponte correm pedras Natureza morta Que mata Pousio bravo Obstáculo de tropeço e arremesso Oceano irracional Pedestal sombrio Catedral do vazio Abismo Penedos pontiagudos Pedregulhos Areias e Seixos Calhaus Correm pedras debaixo da ponte
Desenho a carvão o negro da terra queimada. Nem lágrimas sobram para te regar Pobre barco encalhado Que não te fizeste ao largo. As cinzas são-te espalhadas em sombras Manchas negras pelos campos Outrora verdejantes Poalha que o tempo almeja reacender em chama viva Mas que a penas alastra como chaga Já sem sangue para verdejar.